domingo, 9 de março de 2014

Sobre tiros e vidros

Você conhece meus gatilhos. Sabe que sou um 38 na sua mão. Sabe que pode atirar com um simples olhar, com uma breve suspiro. Isso porque você sabe dos meus gatilhos. E se era para ver o estrago, ele está feito. A distância e a demência se juntando, e lá se vai a vida comum.

Na casa alugada com cachorros, colocamos umas garrafas na parede e atiramos em cada uma delas. De 10, ao menos 6 tiros foram destruidores. O mesmo aconteceu com aquele apartamento do centro, mas com uma perfeição um pouco maior: 8 em 10, sendo que nenhum dos 2 erros sobraram para a vizinhança que se assustava com nosso tiroteio. O estrondo do vidro desmoronando sempre é maior que o da pólvora. E lá se vão pedras e vidraças entre balas e sonhos.


Aquele vidraça quebrada nunca vai ser a mesma. Mas não quero trocar o vidro. Prefiro ele recolado mas com sua história do que um novo que tenha nada a agregar.

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