domingo, 9 de março de 2014

Sobre tiros e vidros

Você conhece meus gatilhos. Sabe que sou um 38 na sua mão. Sabe que pode atirar com um simples olhar, com uma breve suspiro. Isso porque você sabe dos meus gatilhos. E se era para ver o estrago, ele está feito. A distância e a demência se juntando, e lá se vai a vida comum.

Na casa alugada com cachorros, colocamos umas garrafas na parede e atiramos em cada uma delas. De 10, ao menos 6 tiros foram destruidores. O mesmo aconteceu com aquele apartamento do centro, mas com uma perfeição um pouco maior: 8 em 10, sendo que nenhum dos 2 erros sobraram para a vizinhança que se assustava com nosso tiroteio. O estrondo do vidro desmoronando sempre é maior que o da pólvora. E lá se vão pedras e vidraças entre balas e sonhos.


Aquele vidraça quebrada nunca vai ser a mesma. Mas não quero trocar o vidro. Prefiro ele recolado mas com sua história do que um novo que tenha nada a agregar.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

DIY

Te tenho naquele amor que não deixo esquecer.
Tenho teu amor em imagens
- entre textos e fotos e fatos que se sobrepõe e que se reescrevem.
Teu amor em lembrança tenho guardado

tão bem que nunca soubeste que existiu.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Menos Políticos. Mais Políticas.

Por mais isolado que eu esteja, fico feliz em ver um Brasil mudando. Mesmo tendo entristecido ao conhecer da política, mesmo sabendo que nosso maior problema está num sistema político que privilegia um Estado arcaico e deprimente, mesmo vendo babaquisses anônimas e idiotices faladas e escrita de "renomados" "jornalistas", e mesmo por já ter desistido de uma possibilidade de mudanças através da própria sociedade, eis que este tapa paulista - e, tomara, nacional - me faz reviver sonhos e vontades.

Poderia escrever por horas que a concentração do poder na esfera federal é prejudicial à população e à democracia. Que a construção de Brasília foi uma forma de se criar uma barreira entre representantes e representados. Que a ignorancia Política é benéfica aos governantes de alto escalão. Mas pensar é muito diferente de fazer. De começar algo. De promover uma mudança. Quando não percebe que isso pode acontecer, que outros pensam e fazem, ainda que não com as mesmas linhas de pensamento, renova os antigos sonhos de um lugar melhor para se viver. Com menos partidos políticos e mais políticas públicas.

Menos Políticos. Mais Políticas. Por favor.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A Casa de Meu Pai

A febre que eu recebia não tinha motivo. Era um suador que poderia ter tanto com o calor insano dessa Curitiba tropical-bacanal como com a ressaca moral de uma noite regada a jägermeister, risadas, carros roubados e finalizadas no balcão de um bar, entre uma coca e uma dor de estômago.

Era um calor que se abrigava no meu corpo cansado, um espaço vazio que não dorme há dias, que não se acostuma em ser hóspede na casa em que cresceu. Período de Natal, e a minha casa – que mesmo assim não a reconheço como minha quando pago o aluguel todo o início de mês – fica vazia enquanto retorno ao ninho, um ninho esvaziado onde raramente encontro minhas memórias. E fico aqui, perdido num quarto onde nunca dormi, com outros móveis, outras fotos, toda uma estranheza complementada por pensamentos desastrosos. Poucas coisas como antes. Ainda tem umas garrafas de bebidas, uma ou outra caneca, um quadro reformado. Um sofá reformado. Mas não está lá o beliche que dividi com meu irmão por anos. Nem as janelas barulhentas de ferro! Onde foi parar a casa que me abrigou? Por horas penso que ela foi invadida e pilhada, e nada mais nela tem com o que fora. Em outro momento, acredito que houve uma evolução para se encontrar a felicidade – e que com isso nada tenho a ver, afinal, cada um no seu quadro. Só lembro que entre devaneios segue meu corpo a ser consumido por esse calor.

Mas acredito que meus pensamentos estão um tanto impuros, e por isso essa febre.

- Queima! Queima! – berra o corpo por dentro, jogando contra minhas ideias, que buscam palavras para compor o dia em que trancarei a porta da frente com uma chave diferente da que hoje está.

I'm tired my head is pulsing like a bomb

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Leite com café


Acordei cantando o adeus. Uma noite e a chuva da manhã me arrastava leito a fora. Eram umas 9 quando eu olhei no relógio e percebi que não teria sol para me tirar da cama, e me atirei de seu quarto em busca de minhas roupas, meu celular, minha mochila. Era estranho procurar as suas coisas em um lugar onde você não costuma deixa-las. A cama estava no lado errado. Você se deitava no lado errado. Suas pílulas não estavam na gaveta do criado mudo – o qual, aliás, nem estava ali. E havia um tapete entre a cama e o armário para afugentar o frio do pé. Algo que sempre achei desnecessário.

Mas passavam das nove da manhã e eu precisava sair. Manso, silencioso, de fininho. Meio que como os soldados franceses durante a guerra dos sete anos. Pela porta de serviços, onde o barulho se faria menor no interior do apartamento. Chamei o elevador e me joguei do sétimo para o térreo na velocidade daquele motor elétrico. Rápido como sempre, mas devagar demais para os meus pensamentos.

Perto das 9:30 parei na padaria e mandei uma SMS lhe desejando bom dia, e enviando um último beijo, enquanto eu esperava meu leite com café e um queijo quente. Sempre que parei ali sorri para a atendente e afirmativamente pedia: “um queijo quente e um leite com café. Mais leite que café”. Nesse dia ela não me deixou terminar a frase e complementou por conta assim que pedi a xícara de leite com café, com um sorriso no rosto enquanto desenhava um coração por cima do leite batido. Sorri embaraçado de volta enquanto meu bolso tremulava com um “Cadê você? De novo?”.

Liguei o carro e saí cantarolando Sean Lennon. Eu prometo parar de te amar. Amanhã.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Champagne Supernova


Era hora de voltar às resenhas. Tantos livros na estante que eu estava lendo e não sabia mais ordená-los em mim.  Romances, biografias, novelas criminais. Todos tão misturados que o em minha cabeça era capaz de um casal apaixonado de Moccia aparecesse morto, estatelado em alguma rua em algum seriado de Dick Wolf.

Voltar às resenhas. Ter as idéias anotadas. Ter o fio da meada. Saber início meio e fim.

Mas em meio à loucura, ao disparate da miscigenação, lembrei que era assim que as coisas eram para ser. Meio supernova. Meio big bang.

E num estouro toda a ordem se perdeu. Cada um voltou para o seu lugar. O meu, ao lado do seu. Champagne, por favor.